Extração em ângulo de zero graus

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Extração em ângulo de zero graus

Avaliação inicial

 

Quando atendemos um ou mais pacientes envolvidos em um acidente veicular, após a realização de todos os procedimentos de segurança, o responsável pelo resgate deve fazer uma avaliação rápida e definir se o paciente está estável ou instável, principalmente sob o ponto de vista respiratório e hemodinâmico, e em seguida definir a técnica de extração (ou extricação) do paciente, com isso será planejada a via de retirada, bem como a necessidade de utilização de instrumentos auxiliares.

 

Técnicas disponíveis nos serviços brasileiros

 

Atualmente no Brasil utiliza-se basicamente dois princípios de extricação, as manobras de retirada rápida, com algumas variações, e o uso do “Kendrick Extrication Device” (KED), que consiste em um colete que imobiliza a coluna do paciente para minimizar os traumas existentes. Para pacientes estáveis usa-se o KED e para pacientes instáveis as variações de retirada rápida são utilizadas.

 

A avaliação inicial do paciente é necessária para a definição dos locais de corte no veículo

 

A classificação do paciente entre estável ou instável, após a avaliação primária do socorrista, define não apenas a técnica de extricação, mas também os cortes que serão feitos no veículo para criar uma via de acesso e de saída.

 

Criticas sobre as técnicas atuais ajudaram a criar competições mundiais

 

Entretanto, existem inúmeras críticas sobre retirar o paciente utilizando o KED, pois para colocar o colete, há necessidade de inúmeras manobras que movimentam o tronco do paciente, os riscos são minimizados com o treinamento, entretanto recentemente técnicas alternativas vem sendo utilizadas em serviços de resgate no mundo todo, motivando a criação de competições internacionais de Salvamento e Resgate Veicular. Em 2016 o Brasil sediou Desafio Mundial de Resgate Veicular, em parceria com a World Rescue Organization (WRO) entre os dias 20 e 23 de outubro, em Curitiba. O campeonato deste ano acontecerá na Romênia.

 

Nos campeonatos as equipes utilizam o conceito de extração em ângulo de zero graus

 

Para chegar ao campeonato mundial, seletivas estaduais foram realizadas e discutimos muitas técnicas novas durante nosso treinamentos e o principal conceito foi a extração em ângulo de zero graus”, pois até então nenhuma equipe brasileira havia trabalhado com essas técnicas.

Basicamente, a extração em ângulo de zero graus substitui a técnica com o KED, na maior parte das vezes, não se altera o conceito de retirada rápida. Assim, caso após a avaliação primária entendermos que o paciente está estável, seguiremos o “Plano A”, ou seja, extração em ângulo de zero graus, caso o paciente esteja instável, seguiremos o “plano B”, a retirada rápida, como de costume.

 

Chama-se “extração em ângulo de zero graus” pois, em um plano cartesiano, a coluna vertebral, a via criada pelos cortes e o movimento do paciente estariam alinhados no 0º

 

Após definir que o paciente está estável, seguiremos com o planejamento dos cortes para que a coluna do paciente se movimente o menos possível, ou seja, que o corpo do paciente seja “arrastado” para a prancha longa sem a necessidade de rotação em 90º, que acontece na técnica com KED, o paciente irá sair para o lado “onde a nuca estiver apontando“, formando um ângulo de “zero” graus entre a coluna vertebral do paciente, a via criada pelos cortes na lataria e o movimento para trazê-lo para a prancha longa, ou seja, alinhando esses três eixos sobre o “zero grau” definido pelo lado onde a “nuca está apontando”.

 

A equipe de extração deve definir dois planos (A e B), sendo que um deles servirá para os pacientes com estados muito graves onde o tempo é precioso, sendo necessário privilegiar a vida em relação a detalhes de imobilizações (plano B), e um segundo plano para os pacientes que apesar de necessitarem de atendimento podem suportar um tempo maior para a criação da melhor via de retirada para que o movimento de extricação não desalinhe a coluna vertebral do paciente (Plano A).

 

Os trabalhos para retirar o paciente pelo “Plano A” apenas se iniciam após a equipe garantir que a via do “Plano B” já está pronta, pois caso haja qualquer mudança na estabilidade do quadro clínico ou da segurança da cena é possível retirar o paciente do veículo rapidamente.

A regra de competição define que o paciente deve ser “colocado na ambulância” em 20 minutos, para isso a tática da equipe deve assegurar que a estabilização veicular ocorra em 1 minuto, a decisão dos planos A e B em 2 minutos, a garantia do Plano B em 6 minutos, a criação da via de retirada do Plano A em 18 minutos, para que haja mais 2 minutos para a “retirada em ângulo de zero graus” e a reavaliação clinica do paciente fora do veículo.

            Existe um excelente trabalho sendo feito Pela Policia Militar para que futuramente esses novos conceitos estejam difundidos em nossa sociedade.

 

O Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo realiza os eventos de resgate veicular no Estado de São Paulo. É um belo trabalho feito por pessoas muito sérias que desejam o melhor para a sociedade brasileira, com isso desejamos que esses novos conceitos sejam difundidos gradativamente para os socorristas de todo o estado e de todo o país, esperamos que com isso, futuramente possamos dispor em nossa sociedade desses meios que já são utilizados nos melhores serviços de resgate do mundo e que para ser colocado em prática não requer tecnologia, requer treinamento.