Principios de Imobilização de Fraturas

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Princípios de Imobilização de Fraturas

Conceito:

Conceitualmente, para imobilizar uma fratura basta imobilizar o local fraturado juntamente com as articulações proximais e distais ao trauma.

Embora o conceito seja bem simples, existem detalhes no procedimento que podem  torna-lo mais ou menos eficiente, tais como a correta avaliação do indivíduo traumatizado e a escolha da técnica de imobilização adequada para o caso.

 

Antes da imobilização é preciso avaliar a condição do paciente:

Quando atendemos uma pessoa com uma fratura em algum seguimento do corpo, é preciso primeiramente fazer uma avaliação do estado de gravidade do paciente para que as prioridades de atendimento sejam estabelecidas e respeitadas, é um grande erro quando o socorrista inicia o atendimento pela lesão esteticamente mais feia, como uma fratura exposta de fêmur por exemplo. Existem situações como hemorragias ou obstruções das vias aéreas que matam um indivíduo muito rápido e por isso devem ser resolvidas antes em relação a imobilização de qualquer fratura existente.

 

Existem diferentes técnicas de imobilização:

Com relação a escolha da técnica adequada, existem diversas formas de se manter uma fratura estável, entretanto respeitando-se as “prioridades” de atendimento e os “princípios” da imobilização segmentar, o socorrista pode optar pela técnica de sua “preferência”.

 

Técnica de imobilização manual:

         Utiliza-se as mãos do socorrista para manter a fratura estabilizada, isso pode ser necessário quando o socorrista não dispõe do material necessário para a imobilização com talas ou mesmo enquanto o paciente aguarda a imobilização com materiais adequados.

 

Técnica de imobilização seguimentar (caixote):

Consiste em posicionar pelo menos três talas ao redor da fratura, da articulação proximal e distal ao trauma e em seguida fixá-las (fig 1), como se estivéssemos “guardando a fratura em um caixote”. As talas podem ser rígidas ou flexíveis, sendo que as talas flexíveis são melhores pois podem ser modeladas respeitando assim alguma deformação anatômica existente. Para fixar o conjunto também existem alternativas, sendo a “mumificação” uma possibilidade (tem esse nome pois lembra o enfaixamento das múmias), entretanto apesar de ser muito conhecida e simples de aplicar, essa maneira de fixar demasiadamente é demorada e esconde a lesão sob as ataduras, assim, ao chegar no Pronto Socorro (PS) haverá a necessidade de desfazer a fixação para que o médico possa avaliar as lesões existentes. Uma outra forma de fixar o conjunto é utilizando o nó conhecido como “semi cote”, este nó permite que o membro continue  exposto e por isso não há necessidade de desfazer a imobilização para avaliação no PS, evitando movimentações desnecessárias, diminuindo a dor, o risco de embolia gordurosa, as lesões vasculares e neurológicas.

 

Técnica de imobilização em bloco:

Respeitando o conceito de imobilizar a fratura e as duas articulações mais próximas, podemos utilizar a prancha longa como uma grande tala, que tem condições para imobilizar o corpo da região cervical até os tornozelos. Quando desejamos imobilizar uma ou ambas as pernas, basta colocar o paciente sobre a prancha, com alguma técnica de rolamento conhecida, e em seguida posicionar um coxim entre as pernas do paciente (Fig 2), posteriormente coloca-se uma tala imobilizando a região ferida lateralmente (Fig 3). Para fixar o conjunto usamos bandagens triangulares dobradas em formato de tirantes (as melhores bandagens são as com maior lado medindo 1,80m), essas bandagens são fixadas nos passadores da prancha, após estarem nas posições corretas, apertadas e amarradas (Fig 4 e Fig 5). Para imobilizar os braços basta trazê-los para a posição anatômica próximos ao corpo, posicionar uma tala lateralmente ao trauma e fixar com bandagens da mesma forma como se fixa o conjunto nas pernas (Fig 5).

Comparamos a imobilização segmentar de um fêmur com a técnica de imobilização em bloco para os quatro membros, imobilizamos o fêmur com a primeira técnica em 6 minutos e os quatro membros com a segunda em 3 minutos. Está técnica está muito bem indicada para pacientes críticos que necessitam serem transportados rapidamente e por isso muitas vezes precisam ter seus membros imobilizados já com a ambulância se movimentando em direção ao hospital de destino.

 

Técnica com Bandagem triangular:

Quando há fraturas em úmero apenas, podemos colocar o braço do paciente em uma “tipóia” feita com a bandagem e em seguida fixa-la ao tórax do paciente para impedir pequenas movimentações (Fig 6). Essa é uma excelente opção quando nos deparamos com um trauma exclusivo de úmero em um evento de pequena energia, como uma queda da própria altura por exemplo.

Posicionamento anatômico:

A posição anatômica é a melhor posição para permitir que haja adequado fluxo de sangue para as extremidades e para reduzir a dor. Para colocar o paciente em posição anatômica, o socorrista deve tentar alinhar o membro fraturado com o corpo da vítima, esse procedimento deve ser tentado de maneira delicada e apenas duas tentativas devem ser feitas, caso haja impedimento por algum motivo, o membro necessitará ser imobilizado da forma como foi encontrado, para isso deve-se usar as talas moldáveis. Há uma importante observação a ser feita, pois alinhar um membro não é o mesmo que reduzir uma fratura, a redução das fraturas é um procedimento que apenas o profissional médico está autorizado a executar.

 

Avaliação do membro fraturado:

         Quando há uma fratura óssea, existe a possibilidade de lesão nas estruturas que estão ao redor do osso comprometido, podem existir lesões em nervos com comprometimento da movimentação e da sensibilidade, podem haver lesões vasculares comprometendo a circulação das extremidades, podem existir lesões musculares, etc. Devido a possibilidade dos demais traumas associados à fratura óssea, precisamos avaliar a condição do membro antes e depois da imobilização, sempre que a condição clínica do paciente permitir. Avalia-se a presença e a qualidade do pulso que está distal à fratura, a sensibilidade, a temperatura e a movimentação, os achados devem ser  comparados com o membro contralateral.

 

Controle da dor:

Sempre que houver suporte avançado de vida disponível, deve-se considerar o controle da dor, para isso os derivados de opióide, principalmente a morfina, devem ser utilizados, pois além da analgesia, promovem diminuição da ansiedade e quando o cenário em questão for o ambiente pré hospitalar, conseguimos fornecer um transporte mais confortável e seguro. Entretanto existem contraindicações para a utilização dessas medicações, principalmente alergia e instabilidade hemodinâmica, assim, caso haja contraindicações, a imobilização eficiente torna-se o melhor recurso para analgesia no Atendimento Pré Hospitalar.