Hora de Ouro e Sistematização do Atendimento

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Hora de Ouro e Avaliação Sistematizada no Trauma

 

Hora de Ouro, o que é isso? Quando trabalhamos em um cenário pré hospitalar, muitas variáveis estão envolvidas, entretanto o maior objetivo é garantir que o paciente politraumatizado grave tenha sido transportado a um centro de trauma e seu tratamento cirúrgico definitivo ocorra em um tempo máximo de uma hora. A esse conceito chamamos de “Hora de Ouro” e para garanti-lo é preciso que as equipes de atendimento não percam tempo.

Um importante estudo americano comparou a sobrevida de pacientes gravemente feridos transportados com ambulância de resgate com outros levados ao hospital por “carona” e surpreendentemente os pacientes que receberam carona foram os que mais sobreviveram. Esse fato pode ser explicado já que os maiores riscos para a vida em um trauma são a hipóxia e a hemorragia, assim, pacientes gravemente feridos devem ter garantidos a possibilidade de respirar, a contenção de hemorragias externas e o transporte imediato sem perda desnecessária de tempo, simples e rápido.

A importância do conhecimento técnico

A falta de atualização do conhecimento técnico das equipes  de atendimento e dos protocolos dos serviços de resgate fazem com que procedimentos sejam realizados mecânica e burocraticamente, como em uma linha de montagem industrial, fazendo com que um tempo desnecessário seja perdido na cena e consequentemente diminuindo a chance de vítimas de acidentes graves sobreviverem. Por isso os que receberam carona morreram menos, pois tiveram apenas os sangramentos contidos e foram transportados imediatamente ao hospital.

A meta de tempo para o atendimento de pacientes graves é de dez minutos, ou seja deve-se permanecer no máximo dez minutos com a ambulância parada. Em condições ideais temos apenas dez minutos para atender o politraumatizado, colocá-lo na ambulância e partir… Gastar apenas 10 minutos nesta etapa contribui positivamente para atingirmos a meta da “Hora de Ouro”. Caso o paciente não esteja em condição grave, pode-se demorar mais tempo e realizar diversos outros procedimentos tais como aferição de sinais vitais e imobilizações segmentares.

Minutos economizados fazer diferença na “Hora de Ouro”

Para que a equipe consiga realizar todos os procedimentos necessários para garantir a vida, imobilizar em prancha longa e embarcar o paciente em dez minutos há a necessidade da sistematização do atendimento, priorizando as condições que mais ameacem a vida, evitando “movimentações parasitas” que além de desnecessárias são prejudiciais pois subtraem importantes minutos da “Hora de Ouro”. Entender esse conceito faz a diferença entre pertencer a um time de alta performance ou a um time de performance medíocre.

Resumindo, a vida é garantida quando os socorristas conseguem entregar oxigênio aos neurônios. O objetivo final de todo socorrista é garantir os meios necessários para que o sangue oxigenado seja disponibilizado ao sistema nervoso central.

Para que o oxigênio seja garantido ao cérebro da vítima é preciso que haja uma concentração adequada deste elemento na atmosfera, que as vias aéreas estejam desobstruídas, que a fisiologia ventiladora seja eficiente, que haja integridade dos vasos sanguíneos e que exista  uma boa quantidade de sangue com hemácias oxigenadas. É preciso também que a pressão sanguínea seja suficiente para bombear o sangue dos pulmões até os neurônios e que o sistema nervoso central esteja íntegro.

O pré-atendimento, é importante estar atento

Ao deparar-se com uma vítima, o socorrista deve inicialmente solicitar informações sobre a ocorrência atentando-se para informações sobre a segurança e a situação do local, os apoios devem ser solicitados nesse momento. Quando a ambulância pára, os socorristas devem pesquisar os detalhes da cena, principalmente sobre as condições relacionadas a segurança e entender o contexto atual e o que motivou o evento. Ao deslocar em direção da vítima, os socorristas devem ir observando tudo para que avaliações grosseiras posam ser feitas mesmo antes de encostar no paciente (respiração espontânea, grandes sangramentos, cinemáticas de alta energia, etc).

Ao encostar no paciente, os socorristas devem abrir as vias aéreas com técnicas que garantam a imobilização da coluna cervical, em seguida uma máscara de oxigênio (mínimo FiO2 85%) deve ser oferecida para todo paciente gravemente ferido. O próximo passo é a checagem da qualidade da ventilação, em seguida a qualidade da perfusão tecidual.

Para realizar esses procedimentos o único instrumento realmente necessário é o cilindro de O2 e a máscara de inalação, sendo que outros instrumentos como o esfigmomanômetro além de desnecessários, atrasam o atendimento, para agilizar, enquanto um socorrista imobiliza a cabeça e abre a via aérea o outro termina a avaliação, tratando as condições que ameacem a vida conforme forem sendo encontradas. Após essa primeira avaliação, define-se se o paciente é grave ou se está estável, caso seja grave, deve-se garantir as condições para o transporte até a ambulância e os demais procedimentos devem ser realizados, se possível, com a ambulância já em deslocamento para o hospital.